Eles lucram, nós morremos: a agricultura tóxica e o envenenamento dos solos, da saúde humana e do ambiente

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Eu escolhi este artigo, pois resume o grande problema que enfrentamos a partir da apropriação da agricultura por corporações da cabala. A Monsanto lidera a matilha, mas existem milhares de lobos na indústria agrícola prontos a devorar o seu futuro para fazer uns trocos. Corrigir esses excessos será uma tarefa monumental  e vamos começar enfatizar a práctica de Permacultura como uma forma de vida para todos os proprietários de terrenos no planeta Terra. Reverter a contaminação tóxica exigirá contribuições de todos nós.

 

A nossa cadeia alimentar está em grandes apuros. É um grande problema pois o sector das tecnologias agrícolas está a envenenar-nos a nós e ao meio ambiente com seus pesticidas, herbicidas, OGM e outros insumos químicos. O clã Rockefeller exportou intensivamente a “revolução verde” petroquímica para o mundo inteiro com o objectivo de erradicar a agricultura indígena, por forma a consolidar a sua hegemonia sobre a agricultura mundial, e ajudar os EUA a criar regiões com défice alimentar e, portanto, utilizar a agricultura como um instrumento da política externa.

Isso só se tornou possível e continua a ser possível por causa de financiamentos lascivos, relações públicas duvidosas, cúmplicidade política e da comunidade ciêntífica, e o enfraquecimento e sequestro dos órgãos reguladores e políticos envolvidos na tomada das decisões, que supostamente servem o interesse público.

Por exemplo, escrevendo no jornal britânico The Guardian no início deste ano, Arthur Nelson notou que mais de 31 pesticidas com um valor de mercado estimado em milhares de milhões de libras poderiam ter sido proibidos na UE por causa dos riscos potenciais para a saúde se um estudo, censurado na UE, sobre produtos químicos com efeitos hormonais, tivesse sido tido em conta.

O estudo ciêntífico que foi visto pelo The Guardian recomenda formas de identificar e classificar os desreguladores endócrinos (EDC) que os cientistas apontam como estando relacionados com anomalias fetais, mutações genitais, infertilidade e efeitos adversos para a saúde que vão desde o cancro à perda de QI. Nelson escreve que, fontes da Comissão, dizem que o papel foi suprimido por altos funcionários da UE sob pressão das grandes empresas de petroquímicoss que usam EDCs em produtos de higiene, pesticidas, plásticos e cosméticos, apesar dos custos anuais para a saúde estimados em centenas de milhões de euros.

Os critérios propostos pelo estudo para a categorizações dos EDCs era suposto ter viabilizado a proibição na UE dessas substâncias perigosas, no ano passado. Segundo o The Guardian, os funcionários da Comissão afirmam que a pressão dos principais actores da indústria petroquímica, tais como a Bayer e a BASF, bloqueou a implementação desses critérios. No lugar deles, as opções menos rigorosas emergiram, assim como um plano para a avaliação de impacto, que não é esperado estar concluído até 2016.

Angeliki Lyssimachou, um toxicologista ambiental que trabalha para a Rede Europeia Contra os Pesticidas (PAN), é citado por Nelson dizendo:

Se o projecto de critérios propostos pela comissão tivesse sido aplicado corretamente, 31 pesticidas teriam sido proibidos até agora, cumprindo o mandato da regulamentação dos pesticidas para proteger os seres humanos e o ambiente da exposição aos pesticidas disruptores endocrinos.

Lisette van Vliet, uma consultora política sénior da Aliança Saúde e Meio Ambiente, culpou a pressão do Reino Unido, ministérios alemães e a indústria por atrasar protecção pública às doenças crónicas e danos ambientais:

Isto é realmente sobre se, na UE, de forma honesta e abertamente, usamos a melhor ciência para identificar os EDCs, ou se os interesses de certas indústrias e dois ministérios ou agências de dois países conseguem influenciar os resultados, em detrimento da protecção da saúde pública e do meio Ambiente

Um novo estudo realizado por Sebastian Stehle e Ralph Schultz, da Universidade de Koblenz-Landau explica que, antes da autorização, uma avaliação altamente elaborada do risco ambiental é obrigatória de acordo com a legislação de pesticidas da UE. No entanto, não existe nenhuma avaliação com base em dados de campo das concentrações regulatórias aceitáveis (CCR) e, portanto, da protecção global dos regulamentos de pesticidas da UE.

Com base  numa meta-análise abrangente usando a literatura revista pelos pares sobre as concentrações de inseticidas agrícolas nas águas de superfície na UE, e avaliados os riscos associados usando os derivados CCR de documentos oficiais europeus sobre o registo de pesticidas, a avaliação constatou que em 44,7% dos 1.566 casos de concentrações de inseticidas medidos (MICs) nas águas de superfície da UE, excederam seus respectivos CCR.

A meta-análise desafia a eficácia da avaliação dos riscos ambientais regularmente efectuados para a autorização de pesticidas na UE, e indica que as revisões críticas de regulamentos de pesticidas relacionados com as medidas de mitigação eficazes, são urgentemente necessárias para reduzir substancialmente os riscos ambientais decorrentes do uso de inseticidas agrícolas.

A situação é os EUA é, possivelmente, pior ainda. Christina Sarich informou recentemente que 34.000 pesticidas estão actualmente registados para uso nos EUA pela Agência de Protecção Ambiental (EPA). A agricultura industrial (75% de todas as terras usadas nos EUA para cultivar alimentos ou criar animais) depende desses produtos químicos para produzir alimentos.

Sarich afirma que a água potável é frequentemente contaminada por pesticidas, e cada vez mais bebés estão a nascer com defeitos congénitos evitáveis devido à exposição a pesticidas. Os produtos químicos são tão predominantemente usados, que eles aparecem no leite materno das mães. As doenças estão a aumentar também, incluindo a asma, autismo e dificuldades de aprendizagem, defeitos de nascimento e disfunção reprodutiva, diabetes, doenças e vários tipos de cancro, assim como Parkinson e Alzheimer. Sarich diz que sua conexão à exposição a pesticidas torna-se mais evidente a cada novo estudo realizado.

Além disso, os insetos polinizadores foram dizimados por herbicidas e pesticidas químicos, que também estão a tirar nutrientes ao solo. Como resultado, por exemplo, tem havido uma diminuição entre 41,1-100% de vitamina A em alimentos 6: maçã, banana, brócolos, cebola, batata e tomate. Ambas a cebola e batatas viu uma perda de 100% de vitamina A entre 1951 e 1999.

E os políticos eleitos e funcionários públicos “estão a permitir que isso aconteça. Em 2014, os autores do relatório “O registo de uma Comissão Cativa” (pelo Observatório Empresarial Europeu) concluiu que a política comercial e de investimento da saída da 2.ª comissão de Durão Barraso da Comissão Europeia, revelou que eram um bando de tecnocratas não eleitos que se preocupava muito com as pessoas comuns a quererem negociar em nome dos grandes negócios. Para a agricultura, a Comissão tinha uma relação unilateral com o agronegócio sobre os OGM e pesticidas. Longe de mudar a Europa para um sistema alimentar e de agricultura mais sustentáveis, o oposto aconteceu, sendo que os agronegócios e os seus lobistas continuaran a dominar a cena de Bruxelas.

O relatório continua, dizendo que os consumidores na Europa rejeitam os alimentos GM, mas a Comissão tinha feito várias tentativas para atender às demandas do sector da biotecnologia para permitir OGM na Europa, ajudados pelas grandes empresas do sector alimentar como a Unilever ou o grupo de lobby FoodDrinkEurope. Os autores observaram ligações entre estas preocupações e os altos escalões da Comissão.

O lobbying agressivo da BASF levou à autorização do cultivo comercial da batata GM Amfora. Segundo o relatório, os conflitos de interesses a favor da indústria de biotecnologia no âmbito da Agência Europeia de Segurança Alimentar e (EFSA), levou a disputas e fortemente criticados pareceres científicos, que estão a ser oferecidos sobre o assunto. O relatório observou também que a indústria também tinha vindo a exercer uma forte pressão para evitar a acção da UE em matéria de desreguladores endócrinos e pesticidas.

Estes problemas não se limitam à Europa e aos EUA, eles são globais. Taxas de cancro fora de controlo na Argentina ligadas ao uso de glifosato veêm-nos à memória. Em Punjab, na Índia, os pesticidas transformaram a provícia num “epicentro de cancro”. Para além disso, os solos indianos estão esgotar-se, em resultado da aplicação da ideologia da “revolução verde” e introdução de químicos. A Índia está a perder 5,334 milhões de toneladas de solo por ano, devido à erosão do solo pelo uso indiscriminado e excessivo de fertilizantes, insecticidas e pesticidas. O Conselho Indiano de Pesquisa Agrícola informa que o solo está a tornar-se deficiente em nutrientes e em fertilidade. Como os pequenos agricultores por todo o mundo estão a ser expulsos das suas terras e o modelo da agricultura química industrial toma conta das mesmas, os problemas continuam a crescer.

O ambiente, a qualidade da nossa comida e a nossa saúde estão a ser sacrificados no altar do lucro corporativo. A solução envolve uma mudança para a agricultura biológica e investir na reafirmação dos modelos indígenas de agricultura como preconizado pelo relatório da Avaliação Internacional da Ciência e do Conhecimento da Tecnologia Agrícola (IAASTD).

As pessoas comuns querem funcionários a defenderem o interesse público e a serem independentes de qualquer influência comercial. Eles não querem que eles sirvam e lucrem com interesses comerciais às custas da saúde e segurança do público. No entanto, o que muitas vezes ocorre, são conflitos massivos s de interesses (ver aqui, e aqui sobre o problema “independência da EFSA”) e órgãos que são prisioneiros do enorme lobby empresarial (ver aqui “o poder de fogo do lobby financeiro” e aqui para saber “quem faz mais lobbying”).

Os reguladores fecham os olhos aos efeitos deletérios dos produtos que apresentam um risco sistémico grave para o público (ver aqui “os estudos de toxicidade do glifosato que você não tem permissão para ver” e aqui o “caso encerrado pela EFSA sobre o Roundup, apesar das novas provas”) e também dão o aval a produtos, não com base nas pesquisas independentes, mas em declarações de uma empresa ou de estudos secretos tomados pelo seu valor nominal e, posteriormente, mantêm deliberadamente o público às escuras (veja aqui “Roundup e defeitos de nascimento”).

O que as pessoas têm são instituições públicas que servem uma agenda corporativa (veja aqui ‘o livro negro da agenda corporativa da CE e aqui sobre “os conflitos de interesses que afligem a tomada de decisões e órgãos reguladores na Índia sobre os OGM”) e que parecem estar a preparar o terreno para o alargamento da ideologia da “revolução verde” através da aceitação de OGM corporativos patenteados, o que significaria um desastre para o solo, meio ambiente e saúde.

Como a junk food ocidental, a agricultura de petroquímicos intensiva e o processamento alimentar que os acompanha destrói a saúde por todo o planeta (ver o impacto do NAFTA no México aqui), é importante ter em mente o que Stuart Newton diz (no relatório do link , leia a partir da página 9 em diante). Embora fale sobre a Índia, as suas preocupações aplicam-se tanto aos EUA e Europa como a outros lugares, tal como o fazem no subcontinente:

As respostas à produtividade agrícola indiana não é a de abraçar a promoção internacional de monopólios corporativos de culturas geneticamente modificadas e quimicamente dependentes… A Índia tem de restaurar e nutrir os seus esgotados e abusados solos e não prejudicá-los ainda mais, com a sobrecarga química duvidosa que põe em perigo a saúde humana e animal (p24)

Newton oferece uma riqueza de dados referenciados e uma visão detalhada sobre a importância dos solos e das suas composições minerais, e liga o seu esgotamento à “revolução verde”. Por sua vez estes solos esgotados irão levar à desnutrição em massa. Isso, por si só, é bastante revelador dado que os proponentes da “revolução verde” afirmam que ajudou a reduzir a desnutrição. Newton defende uma abordagem bem pensada para a agricultura baseada na agroecologia, uma boa compreensão do solo e a erradicação da adição de químicos venenosos.

Tal abordagem é necessária globalmente, se quisermos avançar para um sistema alimentar nutritivo, saudável e que respeite o equilíbrio do solo, integridade ambiental e, finalmente, as pessoas. Não fazer isto irá resultar na destruição contínua dos solos, ambiente, alimentação e saúde Humana. E o fracasso em expor e desafiar a corrupção, lobbys, ofertas por debaixo da mesa de “livre comércio” e promiscuidades que existam entre o agronegócio e os decisores / órgãos reguladores irá resultar na continuação da prosperidade das mesmas à custa de todos nós.

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