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A Nossa Dependência do Sofrimento

O Buda afirmou que o sofrimento surge do desejo – por exemplo, desejo de mais amor, mais bens, mais destreza física ou beleza. Mas às vezes pergunto-me se a verdade é mais parecida com o contrário – que realmente desejamos o nosso sofrimento. Por outras palavras, estaremos realmente viciados no sofrimento?

No passado, ocasionalmente mencionei o meu irmão nos meus escritos. Ele sofreu de doença mental toda a sua vida e vive numa unidade de vida assistida para deficientes na minha cidade natal. Eu telefono-lhe todos os Domingos. Algumas semanas são boas, outras são más.

Sim, meu irmão tem razões fisiológicas para o sofrimento, mas também tende a ficar desnecessariamente envolvido nele. Por causa da sua sensibilidade, coisas que parecem menores para a maioria de nós podem leva-lo a uma espiral descendente. Recentemente, problemas relativamente menores com seu carro assustaram-o tanto que ele acabou por passar o dia no hospital. Outros dias, um comentário improvisado ou um olhar de alguém (que provavelmente estava a ter um mau dia, ou talvez simplesmente não significasse nada) podia atira-lo para a cama por vários dias. Muitas vezes, ele envolvia-se em conversas negativas e de arrependimentos consigo mesmo. Tarefas simples do dia-a-dia para a maioria de nós, como tomar banho e escovar dos dentes são, na verdade, metas a serem alcançadas para o meu irmão. Algumas semanas ele consegue, noutras é demais.

Admito que posso ficar frustrada com o sofrimento do meu irmão. Mas ultimamente eu comecei a perguntar-me se tudo é apenas uma questão de escala. Afinal, o que pode parecer importante para cada um de nós pode parecer um problema menor para outras pessoas. Não ficou obcecado e sofreu por causa de um problema que semanas depois acaba esquecido na névoa do tempo? Com que frequência os problemas de relacionamento que o atormentaram durante semanas ou meses passaram quando percebe que tudo era foi mal entendido ou, se não tendo sido, tudo se resolveu pelo melhor? E muitas vezes parece que o momento em que uma causa de sofrimento se acende rapidamente conseguimos encontrar outra. Como uma pessoa que tende a preocupar-se demasiado, eu realmente tentei observar-me quando encontro uma nova preocupação para substituir outra que deixei de ter.

Porque é que nos apegamos tanto ao nosso sofrimento?

Recentemente li muito e pesquisei na área das metodologias de autocura. Escrevi no passado sobre as ideias e técnicas utilizadas em Huna, um sistema de pensamento e práctica baseado no xamanismo havaiano. Por sua vez, Huna também está fundamentalmente relacionado com outros sistemas como a hipnoterapia (veja este recente livro do meu hipnoterapeuta Alba Alamillo) e recentes escritos de pessoas como Joe Dispenza (“Você é o Placebo“) e John Sarno (“The Divided Mind “) – embora todos eles usem terminologia diferente e tenham diferentes visões do mundo.

Muitos desses autores apontam no sentido que o nosso cérebro e corpo realmente tornam-se viciados em pensamentos e nas emoções habituais. Por outras palavras, os nossos pensamentos e emoções de sofrimento podem estar literalmente enraizados em canais profundos nos nossos cérebros. Saindo desses padrões, sentimo-nos desconfortáveis e, tendo a oportunidade, retornaremos a esses rumos habituais de pensamentos, emoções e comportamentos. Na realidade, tenderemos a dar importância às coisas que sustentam os nossos hábitos de pensamento e ignorar aquilo que não alimenta isso. Por exemplo, se tendemos a preocupar-nos com a nossa saúde, vamos focar-nos mais comentários ou artigos que apoiem essas preocupações, mas ignoramos completamente as evidências que contradizem esses medos.

Os seres humanos também tendem a ter um viés de negatividade. Por exemplo, se ouvimos um comentário negativo sobre nós mesmos (ou ouvir notícias negativas em geral), vamos centrar-nos muito mais nisso do que quando alguém nos elogiar ou algo de positivo acontecer no mundo. No passado, esse viés ajudou-nos a sobreviver e a manter-nos vivos. Tínhamos de estar atentos à presença de leões nas proximidades. O comentário bem-disposto do nosso companheiro ou companheira necessariamente carregava menos peso. Mas hoje em dia, a nossa tendência para nos focarmos e estarmos obcecados pela negatividade passou dos limites.

Os meios de comunicação sabem bem disso. Tudo o que precisa de fazer é ler o jornal da manhã para perceber isso. O nosso entretenimento também se tornou cada vez mais assustador e negativo. Mesmo as chamadas “comédias” são mais agressivas e negativas, provocando sorrisos amrgos. O meu marido Steve e eu precisamos de olhar mais e mais para o passado para encontrar filmes e programas de TV que nos permitam dormir à noite. Mesmo os filmes de acção de há 20 anos atrás parecem comédias em comparação com os padrões actuais. Todos nós nos tornamos cada vez mais viciados em horror, e os criadores dos nossos meios de comunicação e entretenimento continuam alimentar isso para nos manterem assim. Tudo isso funciona como um verdadeiro vício – com correcções cada vez mais fortes e necessárias para nos manterem estimulados – seja através de sexo, café, drogas, medo ou pelas nossas próprias misérias pessoais.

Como romper com o nosso vício de sofrimento? O primeiro passo é começar a entendê-lo. Observe esses pensamentos negativos – o ciclo do ir abaixo e depois o despoletar de novas preocupações e medos. E tão rapidamente quanto possível, substitua-os por pensamentos positivos – mesmo que não acredite inicialmente. Ou mesmo escreva-os. Diga-os em voz alta. O nosso “EU básico” ou o nosso subconsciente fica mais impressionado pela acção do que simplesmente pelos pensamentos.

Pode parecer estranho, e até desconfortável em primeiro lugar, criar novos caminhos para os seus pensamentos. Continue a insistir. Muitos investigadores afirmam que são precisas 3 semanas de esforço para começar a melhorar. Joe Dispenza também recomenda combinar os seus novos pensamentos positivos com emoções positivas extremamente elevadas, como a gratidão e alegria. É como criar uma enorme onda de positividade que limpa os pensamentos negativos profundamente enrolados nas areias da sua mente. Tanto quanto eu recomendo no meu livro – Consciência Activa, entrar no Agora + – um estado meditativo de alegria e gratidão no Agora aumenta a sua capacidade de criar um novo futuro.

É possível romper com o padrão de sofrimento habitual. Mesmo um pensamento ou sugestão positiva aqui ou ali pode fazer a diferença. Até vejo isso com o meu irmão. Ao invés de simplesmente se preocupar com o seu sofrimento a cada semana, realmente faz mais diferença se eu lhe disser – “Tente sair e dar um passeio hoje”, ou “Tente escovar os dentes esta semana – pode fazer isso!”. Na maioria das vezes, ele informar-me-á no Domingo seguinte que ele se tentou fazê-lo porque eu ter dito isso, e eu sinto-me melhor por isso. A minha positividade e as palavras de Fé nele ajudaram a que ele saísse do seu sofrimento, pelo menos durante algum tempo.

É a sua própria mente que o mantém viciado no seu sofrimento. Todos nós tendemos a fazê-lo. Mas também tem a capacidade de criar novos padrões de pensamentos e emoções. Comece hoje!

Sobre a Autora

Amy Lansky foi investigadora da NASA em inteligência artificial quando sua vida foi transformada pela milagrosa cura homeopática do autismo do seu filho. Em 2003, ela publicou A Cura Impossível: a promessa da Homeopatia que agora um dos livros introdutórios mais vendidos sobre homeopatia em todo o mundo (http://www.impossiblecure.com/). Desde então, Lansky ampliou as suas investigações para incluir ensinamentos antigos e modernos sobre a Consciência, fenómenos psíquicos, sincronicidade, meditação e o nosso poder colectivo para evoluir e transformar o nosso mundo. O resultado é o seu segundo livro, Consciência Ativa: Despertar o Poder Interior, publicado em 2011 (http://www.activeconsciousness.com/). Lansky também foi destaque no recente filme sobre sincronicidade, O Tempo é uma Arte. O seu blog é: http://www.amylansky.com/.

Fonte: http://amylansky.com/wordpress/?p=761

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