Obtenha a sua proteína a partir das plantas e não da carne, se quiser continuar a ser saudável. Verdadeiro ou falso? Veja por si mesmo

É muito fácil encontrar informações conflituosas, em particular no que diz respeito às ciências da saúde e ainda para mais quando se trata de examinar dietas à base de carne em comparação com as que são baseadas nos vegetais. As dietas à base de plantas podem ajudar a prevenir mais de 60% das mortes por doenças crónicas, mas as pessoas ainda debatem se o veganismo é uma dieta segura e sustentável. Isto é em grande parte devido à “ciência” da indústria alimentar, que está repleta de engodos e de informações falsas que são constantemente usadas tanto pelos nossos sistemas de educação e como de saúde. Isto não é nem um segredo nem uma teoria da conspiração como muitas pessoas dessas indústrias têm publicamente abordado essas questões e enfatizado essas mesmas ideias.

“Simplesmente já não é possível acreditar em muita pesquisa clínica que é publicada, ou confiar no julgamento de médicos de confiança ou directrizes médicas autoritárias. Não me agrada essa conclusão à qual cheguei lenta e relutantemente ao longo da minhas duas décadas como editora do New England Journal of Medicine– Dra. Marcia Angell, médica e editora chefe do New England Medical Journal (fonte)

Há dois anos atrás o Dr. Richard Horton, o actual editor-chefe da revista The Lancet, considerada uma das revistas médicas mais conceituadas do mundo, afirmou que metade de toda a literatura publicada pode ser falsa. Nas suas palavras:

As provas contra a ciência são simples: grande parte da literatura científica, talvez metade, pode ser simplesmente falsa. Estudos duvidosos com amostras de tamanho reduzido, efeitos reduzidos ou irrelevantes, análises exploratórias inválidas, e os conflitos flagrantes de interesse, juntamente com uma obsessão para perseguir as tendências da moda com relevância duvidosa, encaminharam a ciência de volta para a escuridão“. (Fonte)

Estes são pontos importantes a considerar quando se fala de ciência e é extremamente evidente no sistema alimentar, em particular quando se discutem as dietas à base de plantas. Temos sido martelados com a ideia de que a carne é necessária para uma boa saúde, mesmo numa época em que uma enorme quantidade de profissionais e publicações têm provado os benefícios nutricionais de uma dieta à base de plantas. Parece um pouco estranho, em particular se considerarmos o facto de que vários biliões de animais são criados e mortos para a produção de carne anualmente, e isso é somente na América.

Dietas Baseadas em Plantas Comparadas às baseadas na Carne

Se olharmos para a ciência “convencional”, os cientistas estão apenas agora a começar a aceitar as dietas baseadas em plantas como uma opção sustentável e saudável e aqueles que fazem as pesquisas são eles mesmos exemplos vivos disso.

Por exemplo, o Dr. Ellsworth Wareham, com 100 anos de idade e cirurgião cardíaco recentemente aposentado que foi vegan durante metade de sua vida explica que:

“O veganismo é uma forma muito refinada de nutrição. É um pouco extremo dizer a uma pessoa que está a usar alimentos de carne que você vai simplesmente retirar-lhes esses mesmos alimentos. Quando eu praticava medicina eu dizia aos pacientes que a dieta baseada em vegetais era o caminho mais saudável para prosseguir, e manterem-se afastados dos produtos animais, tanto quanto possível. As pessoas são muito sensíveis acerca daquilo que comem. Você pode falar com as pessoas sobre exercícios de relaxamento, uma boa atitude mental e eles aceitam isso. Mas falar com elas sobre o que estão a comer é um tema muito sensível. Se um indivíduo estiver disposto a ouvir então eu vou tentar explicar-lhes científicamente o que eu acho que é melhor para eles”.- Dr Ellsworth Wareham (fonte)

Outro exemplo é Kim A. Williams, M.D., presidente recém-empossado do Colégio Americano de Cardiologia, que também adotou uma dieta vegan. Ele muitas vezes observa pacientes que estão com peso acima do normal e lutam contra a hipertensão, diabetes do tipo 2 e colesterol alto. Uma das coisas que ele os aconselha a fazer especificamente é tornarem-se vegans. Ele também é o Presidente de Cardiologia do Rush University Medical Center, em Chicago. O seu entusiasmo por uma dieta baseada em plantas tem origem na sua interpretação da literatura médica, tendo citado vários estudos que provam que as pessoas que têm dietas vegetarianas vivem mais tempo do que aqueles que comem carne e têm menores taxas de morte por doenças cardíacas, diabetes e problemas renais. (fonte)

De acordo com a Harvard Medical School:

“Os estudos confirmaram os benefícios para a saúde de dietas sem carne. Hoje em dia a alimentação baseada em plantas é reconhecida como não só nutricionalmente suficiente, mas também como uma forma de reduzir o risco de muitas doenças crónicas”. (Fonte)

Existe uma infinidade de estudos que demonstram os benefícios das dietas vegetarianas e veganas. Por exemplo, a American Dietetic Association demarcou a sua posição concluindo que:

As dietas vegetarianas devidamente planeadas, incluindo as totalmente vegetarianas ou veganas, são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem proporcionar benefícios para a saúde na prevenção e tratamento de certas doenças. (Jornal da American Dietetic Association, Julho de 2009) (fonte).

Estas doenças incluem doenças cardíacas, cancro, diabetes e muitas mais. A pesquisa realizada pelo Dr. Dean Ornish, que descobriu que os pacientes colocados num programa que incluía uma dieta vegetariana tinham menos placa coronária e menos eventos cardíacos, também é recorrentemente citada.

Também é importante notar que quando se trata de ciência e de fazer ‘associações’, é crucial usar os Critérios de Bradford Hill. Todos sabemos que a correlação não significa causalidade e que, às vezes, a correlação poderá significar causalidade. Quando você tem um grande número de estudos mostrando tais fortes correlações, é geralmente seguro supor que a correlação em certos casos significa causalidade. Quando se trata da dieta baseada em plantas não existe escassez de evidências que claramente delineiam os seus benefícios à saúde. Obviamente, os benefícios de se comer mais alimentos à base de plantas vai muito além da simples correlação.

Essa tendência está a ganhar mais investigação científica à medida que popularidade cresce. Pelo menos 542.000 pessoas na Grã-Bretanha seguem agora uma dieta vegan – em 2006 eram apenas 150.000 – e outros 521.000 vegetarianos esperam reduzir seu consumo de produtos animais. É evidente que o veganismo se tornou uma das escolhas de estilo de vida em maior crescimento. (Fonte # 2)

Um dos estudos mais abrangentes já realizado sobre este assunto é o The China Study, realizado pelos Drs T. Colin Campbell e Thomas Campbell. As suas descobertas mostraram correlações directas entre a nutrição e as doenças cardíacas, diabetes e cancro, provando que as culturas que comem essencialmente dietas baseadas em plantas têm menor ou nenhuma ocorrência dessas doenças e que a mudança para uma dieta baseada em plantas pode reverter com sucesso as doenças já estabelecidas no corpo. O estudo da China é reconhecido como o estudo nutricional mais abrangente já realizado sobre a relação entre dietas e doenças. Eu recomendo assistir o documentário Forks Over Knives (disponível no Netflix), que investiga isso de forma mais detalhada.

A lista de estudos continua e, e se quiser encontrar mais informações recomendamos que você pesquise esse assunto por si mesmo, pois existem muitos estudos que podiam ser incluídos neste artigo.

Proteína Vegetal Comparada à Proteína Vegana

A proteína em produtos animais é preenchida com gorduras e produtos químicos e todos os tipos de coisas que são prejudiciais para si. Quando eu competia e ingeria todas essas coisas, eu tinha muitos problemas digestivos, eu estava constipado e inchado, e apenas sentia-me miserável o tempo todo. Eu não me preocupo mais com a proteína, porque obtenho a suficiente no que eu como. Eu não sou apenas saudável, mas eu sinto-me melhor acerca de mim e de como eu me relaciono com as outras criaturas do mundo

Acima estão as palavras de Jim Morris, um dos muitos culturistas vegans de competição que tem sido vegan durante a maior parte da sua vida. A última vez que vimos um culturista vegan estava a competir nos Jogos Olímpicos do Brasil. O seu nome é Kendrick Farris e ele foi o único americano halterofilista a competir nos Jogos Olímpicos do Rio. Você pode ler mais sobre isso aqui.

Se alguém lhe diz, “eu preciso da minha proteína”, e é por isso que come carne, eles estão muito mal informados. Você não precisa de proteína da carne para ser saudável. A realidade é completamente o oposto, visto que a proteína de origem vegetal é uma alternativa mais saudável. Claramente, os culturistas que adoptam essas dietas do vegan são um grande exemplo, mas vamos olhar sobre o que alguns dos “peritos” têm que dizer.

De acordo com o Dr. Deepak Bhatt, professor da Harvard Medical School e editor-chefe do Harvard Heart Latter:

“Quando se trata de obter proteínas da sua dieta, a carne não é a única opção. Evidências crescentes mostram que reduzir a carne e aumentar a proteína de origem vegetal é o caminho mais saudável. Uma dieta com qualquer tipo de carne aumenta o risco de doenças cardíacas e de cancro quando comparada com a dieta vegetariana.” (Fonte)

Um estudo mais recente realizado por investigadores da Harvard Medical School e do Massachusetts General Hospital acompanhou mais de 130.000 pessoas durante 36 anos, monitorizando doenças, estilos de vida, dietas e taxas de mortalidade.

Eles descobriram que a substituição de entre 15g e 19g de proteína animal, o equivalente a uma única salsicha, por leguminosas, frutos secos e outras proteínas do plantas diminuía significativamente o risco de morte precoce. Substituir os ovos por proteínas de origem vegetal também leva a uma redução de 19 por cento no risco de morte.

Os investigadores descobriram que uma ingestão 10 por cento maior de carne foi associada a uma taxa de mortalidade dois por cento maior e oito por cento mais de mortes cardiovasculares.

De acordo com o Dr T. Colin Campbell, mencionado anteriormente no artigo do The China Study:

“O que eu fiz durante a primeira parte da minha carreira não foi nada mais do que aquilo que a ciência tradicional sugeriria. Observei que dietas presumivelmente mais ricas em proteína animal estavam associadas a uma incidência maior de cancro do fígado nas Filipinas. Quando combinado com o relatório extraordinário da Índia mostrando que a caseína alimentada a ratos de laboratório, nos níveis habituais de ingestão, promovia dramaticamente o cancro do fígado, isso conduziu-me até ao meu estudo de 27 anos de duração, “O Projecto da China”, para perceber como isso funcionava. Fizemos dezenas de experiências para ver se isso era verdade e, mais ainda, para perceber como funcionava. “

No estudo, Campbell enfatizou o facto de que eles usaram os critérios tradicionais para decidir o que é um carcinogénico (em relação às proteínas de origem animal) do programa de testes de carcinogénese química do governo. Campbell também afirmou que “este não é um assunto discutível e as implicações desta conclusão são surpreendentes em muitos aspectos”.

Ele também mostrou, entre outras coisas, que a proteína animal é muito ácida, e vaza essa acidez, o que leva o corpo a retirar cálcio e fósforo dos ossos para neutralizar a acidez.

Abaixo está um vídeo dele a explicar algumas das suas descobertas:

https://www.youtube.com/watch?v=xEWAf6sOGv0?start=0&modestbranding=1&showinfo=0&theme=light

Então qual é a melhor?

Obviamente, existem informações de ambos os lados. O ponto principal a reter aqui é que a proteína não é a mesma.

Proteína é construída a partir de blocos de construção conhecidos como aminoácidos, e os nossos corpos produzem-nos de duas formas diferentes. Talvez nem todos o corpos sejam iguais, e alguns podem os aminoácidos nas suas formas elementares ou podem modificar outras.

Uma pequena lista de aminoácidos conhecidos como os aminoácidos essenciais precisam de ser obtidos dos alimentos. De acordo com o modelo de educação actual, que é amplamente financiado por corporações de alimentos que controlam a agro-pecuária, o discurso é que as fontes animais de proteína tendem a ter todos os aminoácidos que precisamos. O que eles deixam de fora sobre a proteína animal é o que você acabou de ler acima.

Outras fontes de proteína não têm um ou mais aminoácidos essenciais, mas tudo o que um indivíduo vegetariano ou vegano precisa de fazer é ter certeza de que eles ingerem uma variedade de alimentos que contêm proteínas, o que ajudará o corpo a produzir mais proteínas.

Dito isto, estudos sobre a restrição calórica e o jejum têm demonstrado que uma elevada ingestão de proteínas, muita, é definitivamente algo que você não quer. Se você quiser saber mais sobre isso, você pode consultar o Dr. Valter Longo, ou confira mais alguns dos nossos artigos sobre o jejum.

Certas carnes também têm sido associadas a várias doenças. Por exemplo, uma pesquisa realizada na Escola de Saúde Pública de Harvard descobriu que comer, mesmo que em pequenas quantidades, carne vermelha, em particular a carne vermelha processada regularmente, está associado a um risco aumentado de doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais e ao risco de morte por doenças cardiovasculares ou quaisquer outras causas. Certas carnes também são conhecidas por causarem cancro e váriadas outras doenças. Substituir essas carnes por fontes saudáveis ​​de proteína reverteu os efeitos. (fonte) (fonte)

Os alimentos processados ​​/ carne também são conhecidos por causarem cancro.

Enquanto o consumo deficiente de proteínas é prejudicial ao corpo, o consumo excessivo também comporta riscos. Nos Estados Unidos, o omnívoro mediano obtém mais do que 1,5 vezes a quantidade ideal de proteína, e a maior parte dessa proteína é de origem animal. Esta é uma má notícia, pois o excesso de proteínas é transformado em resíduos ou em gordura. Esta proteína animal armazenada contribui para o ganho de peso, doença cardíacas, diabetes, inflamações e cancro.

Por outro lado a proteína contida em alimentos vegetais integrais está associada à prevenção de doenças. De acordo com Michelle McMacken, médica de medicina interna e professora assistente de medicina na NYU School of Medicine:

“A proteína encontrada nos alimentos vegetais integrais protege-nos de muitas doenças crónicas. Não há necessidade de rastrear a ingestão de proteínas ou usar suplementos proteicos com dietas baseadas em plantas. Se você está a satisfazer as suas necessidades diárias de calorias, você terá muita proteína. As pessoas que vivem mais tempo na Terra, aquelas que vivem nas “Zonas Azuis“, obtêm cerca de 10% das suas calorias de proteínas, em comparação com a média dos EUA de 15-20%”.

Obviamente, existe uma grande riqueza de informações lá fora, e o que eu mencionei aqui é apenas uma amostra. Existem também outros factores a considerar nestes tempos também, como por exemplo a influência da indústria sobre as publicações científicas, e muito mais.

Fonte: http://www.collective-evolution.com/2017/02/06/get-your-protein-from-plants-not-meat-if-you-want-to-be-healthier-according-to-these-scientists/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+Collective-evolution+%28Collective+Evolution%29

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