Jogo dos Espelhos (parte 2): A vida é um paradoxo

A existência é sempre baseada num aparente paradoxo, de que somos Um e também aparentamos estar separados. A nossa capacidade analítica, mental e lógica é baseada em ter conhecimento de factos, o que só pode ser feito isolando as coisas de uma certa perpectiva, para olhar para um objecto ou para uma situação ou um ser como a sua própria coisa em vez de o vermos como uma parte de um todo. Ao mesmo tempo a existência, toda a Criação, é Um, um organismo, um corpo.

Somos células da Criação Una como as células e órgãos de um corpo humano. Portanto, a lógica em si, se procurada genuinamente até às últimas instâncias, sempre termina em contradição, a contradição da Unidade e aparente separação. Não podemos entrar em contacto com a vida ao compreendermos mentalmente as suas partes. A busca duma resposta lógica, dum significado analítico da compreensão da vida, é sempre vã e nunca pode ser satisfeita.

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Isto está relacionado com o meu artigo anterior intitulado Jogo dos Espelhos, no qual eu mencionei que, da perspectiva mais elevada, o nosso Eu Superior é um organismo, um e o mesmo para todos os seres e para toda a Criação, e simbolicamente pode ser visto como um Sol e nós, como seres inferiores, somos todos raios solares que emanam dele. Na verdade, o Sol e os seus raios de Luz são Um. Outra forma de descrever simbolicamente isto é que o Eu inferior é um reflexo do Eu Superior, visto num espelho.

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Para todos os lugares que olhamos ao redor no mundos físico, emocional e mental, vemos apenas reflexões, visto que todas as outras pessoas, lugares, objectos, também são apenas reflexos dos seus próprios Eus superiores.

Como meras reflexões que esqueceram o seu Eu real, muitas vezes houve esse sentimento de estar incompleto, de que a nossa identidade não é validada, de que está a perder de vista o seu Eu real / superior. E nesse esquecimento tem havido uma tendência generalizada de procurar essa sensação de conclusão no mundo das reflexões. Assim, as pessoas esperam ser completadas e validarem a sua identidade, procurando opiniões positivas de outras pessoas, esperando que as experiências e realizações positivas finalmente validem a sua identidade e, finalmente, a reflexão não ficará mais embaçada. Mas isso é absolutamente em vão, já que a conclusão nunca pode vir do mundo das reflexões, mas somente da reconexão com o próprio eu superior e real.

Buscar a conclusão no mundo das reflexões é como colocar dois espelhos em frente um do outro, pelo que os reflexos refletem-se interminavelmente. Este mundo onde o eu superior foi esquecido é um labirinto de espelhos opostos onde não é possível entender o que é real.

Portanto, para que reais avanços espirituais ocorram, é necessário renunciar incondicionalmente a toda e qualquer esperança de validação e conclusão das opiniões de outras pessoas, das suas próprias realizações, ou em qualquer outra circunstância deste mundo de reflexões nestes planos inferiores.

O Eu Superior, o campo e o abraço da Unidade, a Luz da Fonte, o Único organismo que toda a existência é, todas essas são palavras diferentes para descrever a mesma coisa, e isto é quem e o que realmente somos. Somos células neste organismo único, ondulações no oceano da vida. Essa presença é eterna e incondicional, nunca pode ser afetada, diminuída, alterada. Está além das condições. Portanto, não é algo para procurar lá fora, não é algo para se alcançar, para trabalhar no futuro, está sempre lá e sempre esteve lá e nós nunca podemos estar verdadeiramente desconectados dele porque não há nada fora do Um. É apenas a consciência individual que pode esquecer temporariamente, que pode então experimentar a ilusão de estar desconectada, enquanto a presença Una está sempre lá, e verdadeiramente tudo o que há a fazer é, relaxadamente, deixar-se levar por ela.

Jogo dos Espelhos parte 2 a vida é um paradoxo

Relaxar significa que vemos a Luz Mais Elevada como sendo nós mesmos e como sendo todos os outros e todas as situações sempre, incondicionalmente, independentemente do que esteja a acontecer à volta. Para a ver, automaticamente, vamos trazê-la para a situação e vamos vivê-la.

Criar apegos e investimentos em cenários, esperar ou acreditar que as coisas devem ser de uma certa forma, automaticamente prende a energia às condições do Eu inferior, traz a identificação com o Eu inferior, porque é uma expectativa de que a aparência inferior possa completar-nos e, na realidade, a Presença Única que verdadeiramente somos está sempre presente, em todos os lugares, em todos os momentos, sempre completa.

E, ao mesmo tempo, o Eu inferior muitas vezes acumulou muitos programas e distorções, todos baseados na ilusão de se sentirem separados, deslocados. Isso cria uma experiência de várias dores, em particular físicas e emocionais, que são sempre ilusões, independentement do quão reais elas possam parecer. Um ser iluminado poderia ficar ileso de uma explosão, ser atingido por uma arma de fogo e deixar a bala sair permanecendo o corpo ileso, simplesmente porque ele ou ela sabe com firmeza que as condições são sempre ilusões, um jogo de espelhos e o Um incondicional. A presença é está aqui, sempre completa para fornecer saúde e integridade incondicional.

Ao mesmo tempo, pode ser uma jornada para reconquistar essa Consciência plena, essa iluminação plena, e isso também deve ser reconhecido. Na plena iluminação, não há absolutamente nenhuma necessidade de qualquer coisa, porque a presença do nosso Eu Superior é sempre completa e pura Luz e Amor da Unidade, e não pode ser afetada por nenhuma das condições inferiores e, na realidade, o Eu Superior e Inferior são Um só. Assim, o Eu inferior tem o propósito de incorporar plenamente o Superior e todas as suas qualidades incondicionais e, portanto, não pode ser afetado pelas circunstâncias e é sempre Luz pura.

Quando essa consciência plena ainda não está recuperada, o Eu inferior tem muitas necessidades ou, por outras palavras muitos vícios, precisa / é viciado em água potável, ar respirável, Luz solar, comida, conexões humanas significativas, etc. É o paradoxo de que, desde uma certa perspectiva e em certos estágios da evolução, nós realmente precisamos de tudo isso e, ao mesmo tempo, devido à presença Una e incondicional, nós verdadeiramente não necessitamos deles.

Jogo dos Espelhos parte 2 a vida é um paradoxo

A jornada é para resolver esse paradoxo é abordar todas as necessidades e desejos, e não há uma resposta direta e genérica para isso. Ou eles têm que ser renunciados ou têm que ser vividos e expelidos até que o Eu inferior esteja em plena Consciência da sua presença incondicional do Um, e a Alma tenha terminado a sua jornada de encarnação e não tenha desejo ou razão para encarnar novamente. Isso depende do Plano Divino do Um: certos desejos são distorcidos. Por exemplo, nós realmente não precisamos de comida de plástico [n.t.: Junk Food em Inglês] e isso geralmente pode ser renunciado facilmente. Se acreditamos que precisamos de algo então vamos viver essa necessidade. Por exemplo, temos genes para produzir vitamina C, mas eles geralmente são desativados porque acreditamos que precisamos de ingeri-la, mas eles podem ser reativados pela nossa consciência de que podemos produzir a nossa própria vitamina C.

No entanto, alguns desejos são reflexos do Plano Divino para o desenvolvimento da Criação, e a nossa Alma não pode renunciar a eles durante algum tempo, mas enviará o impulso para criar essa experiência da melhor forma possível como, por exemplo, o desejo de experimentar a reunião com a Familia de Alma. Aqui é importante lembrar que o Plano Divino é fluido, muda, não é algo que podemos sintonizar com planeamento mental e crenças, e por isso temos que libertar os apegos a um cenário específico. Nós podemos apenas sintonizar-nos com o Plano Divino no momento, vivendo e expressando cada momento um por um completamente, e então a jornada desenvolve-se. A vida é capaz de construir sobre cada momento prévio somente se for vivida plenamente, o que significa que vemos a Presença Una da Luz Mais Elevada a cada momento, não obstante o que esteja a acontecer. Esses desejos, essa orientação interior, momento a momento, é o tecido que tece toda a vida num campo de Unidade.

À medida que esta jornada se desdobra, nós progressivamente recuperamos a plena Consciência da nossa Presença Unitária do Um, e o paradoxo é reconciliado, pois a Unidade é compreendida em todos os graus de densidade e separação. Então todos os seres, todas as células do Único organismo, são totalmente envolvidos juntamente na Consciência da Unidade e a vida permanece um mistério para ser vivido, não como algo a ser alcançado, porque não há nada fora da própria vida, mas como uma expressão da alegria de simplesmente existir. Isso é algo que está sempre lá para que possamos aceder a qualquer momento. De facto, só podemos aceder a isso quando relaxamos no momento presente.

Jogo dos Espelhos parte 2 a vida é um paradoxo

🌟💖 Amor para todos 🐬🌟

Fonte: http://recreatingbalance1.blogspot.com/2018/09/play-of-mirrors-part-2-life-is-paradox.html

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